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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sobre aprender a dançar

cena do filme Whatever Lola Wants
Assistir a uma bela apresentação de dança causa um encantamento indescritível. Muitas mulheres, após essa experiência, decidem-se por aprender a dançar. Quando a técnica está bem consolidada no corpo da bailarina e quando há, associada a técnica, a expressão, o espectador é levado a crer que trata-se de um estudo fácil, de que os movimentos rapidamente poderão ser bem executados e muitas vezes essas pessoas, ao procurar aulas de dança, se frustram em um primeiro momento. Percebem que as coisas não são assim tão fáceis. Que um bom desenvolvimento em dança requer disciplina e dedicação.
Podemos comparar o desenvolvimento em dança ao desenvolvimento infantil. Para poder começar a andar há todo um processo: primeiro a criança se arrasta pelo chão, depois começa a engatinhar, depois vai tentando se equilibrar sobre as próprias pernas até que consegue ensaiar os primeiros passos, no início se desequilibrando, levando alguns tombos, até que o caminhar se consolide. A criança vai descobrindo cada parte do seu corpo e como cada parte pode ser utilizada para produzir movimentos, para que ela possa se deslocar. Quando aprendemos a dançar as coisas acontecem de forma parecida. Começamos a desenvolver um conhecimento diferente sobre nosso corpo. Começamos a prestar atenção em apoios e transferências de peso. Conhecimento que precisamos para caminhar, mas que se automatiza. Esses conhecimentos perdem-se de nossa consciência e, ao dançar, nos conscientizamos deles novamente. Voltamos nossa atenção a nossa estrutura corporal, passamos a conhecer a capacidade de movimento de cada articulação, começamos a perceber intensidades de tônus de cada musculatura e a prestar atenção em direcionamentos ósseos e aos poucos vamos aprendendo os movimentos da dança. Inicialmente os movimentos sinuosos podem parecer meio "quadrados", travados, sem a fluidez necessária, assim como deslocamentos. Os movimentos secos podem não parecer tão secos e precisos. É o momento de desequilíbrio inicial. Precisamos persistir. Repetir o movimento muitas e muitas vezes, até que ele faça parte de nossa memória corporal: muscular, articular, óssea, celular... Com o tempo e com a repetição o movimento fica fluido e limpo. Observemos que tempo e repetição são extremamente necessários. É preciso ter paciência, respeitar o próprio tempo, que para cada corpo é diferente.
Quando o básico da Dança do Ventre está consolidado vão surgindo novos desafios. Movimentos mais elaborados, variações de velocidade, mesclagem de movimentos... Em um crescente que permite que haja sempre possibilidade de aprendizado.
Sobre o desenvolvimento cognitivo Vigotsky falava sobre uma "zona de desenvolvimento proximal", que diz respeito a conhecimentos que a pessoa tem potencial para adquirir, mas ainda não completou o processo, trata de conhecimentos ainda não consolidados mas potencialmente atingíveis com o auxílio de outras pessoas. Ao ensinar/aprender dança podemos ter em mente esse conceito, pegá-lo emprestado. O nível de desenvolvimento real diria respeito ao conhecimento que a pessoa já adquiriu, a linguagem que já está consolidada no próprio corpo, àquilo que já é facilmente executado, movimentos que muitas vezes já estão automatizados, que conseguimos realizar sem pensar em como executá-los. Para quem está na primeira aula o conhecimento que se tem diz respeito à linguagem corporal necessária para desenvolver as atividades cotidianas: o simples caminhar, o vestir de uma roupa e tudo que envolve nosso dia-a-dia. Para quem já tem o conhecimento de outras danças, esse também faz parte do nível de desenvolvimento real E para quem já tem um percurso na Dança do Ventre, esse estágio diz respeito a tudo que já foi aprendido e consolidado dentro desta linguagem, além dos conhecimentos corporais para atividades cotidianas e de outras danças. O trabalho pensando na zona de desenvolvimento proximal é o que permite a evolução, um caminhar, o aprendizado de coisas novas. Trabalhamos nesta zona quando começamos a aprender um movimento mais difícil de ser executado inicialmente, que exige uma concentração e um esforço maior.
Se trabalhamos apenas no nível de desenvolvimento real, naquilo que já foi consolidado, não há desenvolvimento, há apenas permanência em um mesmo estágio. Na zona de desenvolvimento proximal temos desafios, dificuldades, superação e consequentemente desenvolvimento, evolução.
Não podemos dizer que o caminho é fácil, tampouco podemos dizer que ele tem um fim. Traçamos objetivos e quando o estamos atingindo traçamos novos objetivos. O importante é o processo, o caminhar. Mas tenha sempre em mente que se há o desejo de aprender, também há a capacidade. Você é capaz de aprender a dançar, de aprender cada movimento, desde que acredite nisso e se disponha a este aprendizado. Os seus limites e as suas possibilidades é você quem cria, mentalmente. Portanto, acredite em você. Terão momentos de dificuldade, que vão passar, indicando que superou mais este processo e que conseguiu consolidar um aprendizado/movimento novo!

Ju Najlah

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Faça da sua diferença a sua arte

Espetáculo “Intrigante”:http://deficientealerta.blogspot.com.br/2010/07/espetaculo-intrigante-une-bailarinos.html


Todos nos emocionamos ao assistir manifestações artísticas daqueles a quem chamamos "deficientes". A beleza da arte sendo apresentada por aqueles em quem, muitas vezes, só conseguimos enxergar o que falta, o que é diferente e “deficitário”, nos faz perceber novas possibilidades de vida.
Apresentação de fragmentos do espetáculo de dança em cadeira de rodas da companhia de dança CRS - Cia Rodas no Salão, no Ballace 2009, em Camaçarí-Ba

Essas pessoas que dançam em cadeiras de rodas ou sem o sentido da audição nos ensinam que o que nos diferencia dos outros não nos torna pior, com problemas ou menos importantes. Essas pessoas simplesmente encaram o que elas têm de diferente como potencialidades! E é exatamente aí que se cria a arte! É na diferença que nos tornamos únicos, é aí que está o potencial de cada um.
Grupo de portadores de deficiência auditiva executa o 'Avalokitesvara Bodhisattva', que é uma performance artística criada pela Trupe de Arte de Pessoas com Deficiências da China. O grupo foi fundado em 1987 e possui 88 pessoas portadoras de deficiência auditiva, visual e incapacidades físicas. (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL413905-5602,00.html)

Não queira, pois, estar dentro dos padrões. Você poderá ir além deles! Querer ser igual faz com que você repita movimentos vazios de sentido. Quando, porém, podemos voltar nosso olhar a nós mesmos e perceber o que nos faz diferente dos demais, temos aí grande material de trabalho. Desenvolvemos o autoconhecimento e podemos nos expressar com toda bagagem emotiva que nos faz ser quem somos. Nos respeitamos e nos amamos como realmente merecemos. Fazemos da nossa diferença nosso potencial e aí sim, é possível se destacar em um meio de movimentos alienados e sem sentido porque agora toda sua história de vida se transforma em dança!

Infelizmente não tenho maiores informações sobre esse vídeo. Mas eles transmitem uma grande emoção durante a dança. Realmente muito bonito!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O valor de um certificado


Vários cursos estão pipocando no mercado da dança. Cursos profissionalizantes e de formação estão na moda! Mas qual o real valor deles?

A primeira pergunta a partir da qual devemos refletir é: O que você busca ao fazer uma aula ou um curso?

Se sua preocupação disser respeito ao valor do certificado para seu currículo, talvez você esteja se enveredando por um caminho não muito interessante. São só papéis. Por si só não dizem muita coisa.

Ao escolher fazer um curso, ele precisa te dizer algo, fazer sentido, abrir possibilidades. O que você ganhará é o aprendizado. Por isso é importante estar atenta ao que cada professor tem de melhor para lhe passar, que portas aquele novo conhecimento abrem para você, como modificam a sua pessoa e a sua dança... É importante estar aberta para aquele conhecimento e estudar muito, antes, durante e depois, para solidificar o que fora aprendido e até para poder questionar formas rígidas de pensamento. Sob essa óptica um bom curso é aquele que, de algum forma, provoca modificações em você, que te motiva a estudar cada vez mais e que te traga informações de qualidade.

E então nos perguntamos: Os cursos profissionalizantes realmente lhe profissionalizam? Vai depender muito mais de você do que do curso em si. Eles podem te dar direções, mostrar pontos dignos de uma atenção especial para aquelas que levam a dança mais a sério. Alguns são de muita qualidade e abordam, inclusive, com certa profundidade os temas que uma bailarina profissional precisa saber.  Mas se profissionalizar depende muito mais do comprometimento de cada uma, da consciência de que o estudo é para sempre e que o processo de formação é contínuo. Muitas experiências são importantes para a nossa formação, desde as aulas em que desempenhamos o papel de alunas às que desempenhamos o papel de professoras, e até mesmo as diversas situações cotidianas. Tudo é experiência que nos causa trans’formações’.

Portanto reavalie seus objetivos e retire de cada experiência o máximo de aprendizado possível. O papel (certificado) só terá importância se o curso tiver feito você crescer, desenvolver sua dança e seus potenciais.

Ju Najlah

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Beleza em potencial, desperte-a



Cada ser humano tem um grande potencial. Somos todos capazes de promover incríveis realizações, só que muitas vezes não nos damos conta disso. E em vez de trabalharmos a fim de lapidar o que temos de bom, muitas vezes caímos numa armadilha: desejamos para nós o que outros conquistaram e criamos expectativas de nos tornarmos como aquela pessoa ou, pior ainda, criamos expectativas para que aquela pessoa tenha problemas e para que possamos nos sobressair. Caminho meio estranho este! Mas é um pensamento bastante comum.
Precisamos, antes de qualquer coisa, ter em mente que a inveja é uma coisa completamente inútil. Cada pessoa é diferente, tem qualidades diferentes, histórias de vida diferentes. Cada ser humano é único! Ser igual iria acabar com toda a riqueza da vida. A beleza está na pluralidade. E no mundo da dança não é diferente. Então, o primeiro passo é olhar para dentro de si. Se auto-observar mesmo. Procurar em seus gestos, em suas palavras, em sua expressão as suas qualidades. Descubra o que há de melhor em você! Tendo descoberto, investigue mais, explore, crie outras possibilidades, desenvolva. Utilize o que há de melhor em você para alcançar seus objetivos. Suas qualidades podem lhe levar a lugares que você nunca imaginou. Elas são o seu diferencial! Em seu ser há muita beleza, há feminilidade, doçura, força, toda a sua história de vida estampada em seu corpo! Tudo isso pode estar na dança, tudo isso pode ser dança!
O segundo passo é olhar o mundo a sua volta, agora com outros olhos. Tendo aprendido a enxergar o seu lado positivo é mais fácil ver o lado positivo do mundo. Outras pessoas e outras danças já podem ser vistas com admiração! Não há competição, há troca! Troca de gestos, troca de palavras, troca de todos os bons sentimentos que podemos emitir ao dançar e ao assistir. Deixamos de lado expressões como “ser o melhor”, porque passamos a entender que o melhor não existe. Somos todos pessoas diferentes seguindo sua caminhada, cada um com sua história, cada um com suas potencialidades, podendo cuidar para desenvolvê-las, e buscando aprender, buscando o equilíbrio e o aprendizado, buscando o contato consigo mesmo, cuidando de si.
Cada pessoa é especial, o que faz de cada dança única. Aprendamos a viver em harmonia e a enxergar o que há de melhor em nós e naqueles que estão a nossa volta! E aí sim, poderemos chamar isso de VIDA!

Ju Najlah

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Trecho de entrevista com Ju Marconato

"Quando nos tratamos interiormente com carinho, fica mais fácil receber isso do Universo."

Ju Marconato é uma bailarina ímpar, que oferece além de sua dança maravilhosa ensinamentos de imensa sabedoria. Sua dança reflete a beleza de seu ser!
Selecionei aqui alguns trechos de uma entrevista incrível que ela cedeu para a revista Shimmie, publicada em sua sexta edição. Gostaria de compartilhar aqui a entrevista toda, mas não posso fazer isso já que se trata de uma publicação de fundo comercial. Devo respeitar os direitos dos autores e dos responsáveis pela revista. Mas deixo aqui registrado que vale muito a pena ler a entrevista completa. Aliás, toda a publicação é de muita qualidade! 

"JM:Antes das apresentações, eu costumo respirar bem fundo pelo baixo ventre e acalmar meu coração. Procuro lembrar que "eu sou a alma" e, além de estar aqui de passagem, a alma sabe naturalmente dançar. É um exercício de entrega.(...) Quando me concentro em tirar meu ego da história, fica mais fácil relaxar e deixar fluir. A responsabilidade de agradar a todos e corresponder às expectativas dos outros é uma missão muito difícil e cansativa. Perdemos muita energia com isso. Vivenciar o momento presente , ajuda a ficarmos mais fortes, poderosas e conectadas.

RS: O que você sente quando está no palco?
JM: É o momento mais feliz da minha vida, onde a minha alma agradece e reverencia a alma do público. Dançar é transformar emoção em movimento, transformar nossas vidas! É equilibrar nosso lado mundano e divino com sabedoria, é libertar-se de couraças. Dançar é descobrir poder , liberdade, sensualidade e mistério. É deixar o corpo mais leve e a alma brilhando. Dançar é um privilégio, que indica saúde, prosperidade, beleza, criatividade, feminilidade. Realmente é o meu melhor momento! Dançar me resgata, me cura, me renova.

RS : Quais as dicas que você poderia dar para quem está começando e tem medo de palco ou quer vencer esse medo?
JM: (...) Uma dica é pensar bem nas pessoas que estão ali assistindo. Elas não são maldosas. Elas têm o amor e a arte dentro de si e, se você amá-las, elas irão devolver isso multiplicado. Outra dica é respirar fundo e lembra que, acima de tudo, você ama dançar! Não é uma obrigação, é um belíssimo lazer."

Para ter acesso a entrevista completa, adquira já a sua Shimmie número 6!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

DRT e Capacitação Para dar Aulas.


O registro da Delegacia Regional do Trabalho(DRT) é a prova da habilitação para o exercício de determinada profissão que possua regulamentação mas não órgão fiscalizador. As atividades de artistas e técnicos em espetáculos de diversão foi regulamentado pela Lei 6.533/79, reunindo 58 categorias, dentre elas as de bailarino, dançarino e coreografo. Para obter o registro, além de alguns documentos pessoais é necessário possuir comprovação de qualificação profissional que pode ser por diploma ou Atestado de Capacidade Profissional.
No caso da Dança do Ventre realizamos junto ao Sindicato dos Profissionais de Dança uma avaliação que, aqui no Estado do Rio de Janeiro, consta de uma parte teórica, bastante básica, e uma parte prática – que seria a apresentação de uma Rotina Clássica Oriental, com música sorteada no momento da prova. Dessa forma é possível avaliar o conhecimento da estrutura da música clássica, conhecimento de ritmos e folclores, a interpretação de instrumentos, expressão nos diversos humores presentes na música, postura, etc. Aprovada nessa avaliação, a bailarina recebe seu Atestado de Capacidade Profissional e está apta a obter sua habilitação para o exercício da profissão “Dançarina”, como fica registrado em nossa carteira de trabalho. Porém é importante estarmos atentas ao fato de que a habilitação é para “Dançarina”, não para professora ou coreógrafa. Porém, atualmente, há o entendimento de que o DRT também habilita para a realização das outras atividades de forma profissional.
Além disso, existem alguns cursos que visam preparar professoras, dentre eles destaco a graduação  e pós-graduação em dança, os CQIDs, curso técnico do Shiva Nataraja e o curso do Método Acadêmico Suheil. Embora sejam cursos de inquestionável qualidade, posso afirmar que é pequena a parcela de professoras que os fizeram. Com isso, a tarefa docente em Dança do Ventre exige imensa responsabilidade por parte dos profissionais que se dedicam a isso. É necessário estudar, além de técnicas de dança, cultura, geografia e história dos países árabes e folclores, metodologias de ensino, anatomia, técnicas de alongamento e aquecimento... É preciso estudar para sempre, tendo em mente que para ensinar temos que ser eternas alunas. Também necessitamos de uma boa dose de criatividade!  Este é um ponto, necessário ao profissional professor.
Tenha sempre em mente a responsabilidade que lhe cabe ao ensinar dança, tanto pela questão corporal (movimentos feitos de forma errada podem provocar lesões), quanto pela questão cultural. Estude sempre!

domingo, 3 de junho de 2012

Profissionalismo em suas atitudes


 O caminho de estudo da Dança do Ventre é longo, diria mais, é eterno. Passaremos uma vida inteira e não teremos estudado tudo. E esse comprometimento com os estudos, com o aprendizado é o ponto mais importante na construção de uma bailarina profissional.
É preciso primeiramente ter paciência. Tirar da cabeça a ideia de que o aprendizado será imediato, de que em pouco tempo você terá conseguido aprender tudo. Não terá. O universo da dança é muito amplo. A cada dia aprendemos algo novo, limpamos um movimento, descobrirmos novas possibilidades, encontramos outras bailarinas, aprendemos outros passos... Tudo nos forma.
Precisamos também dar uma atenção devida a se auto-observar. Ter humildade. Só que humildade não é se colocar para baixo, se menosprezar, mas ter a exata consciência do que você é, de seus potenciais e dificuldades, qualidades e defeitos. Nesse universo dançante, ter a ideia do que se sabe e do que precisa aprender, do que é necessário para elevar seu nível técnico, de que carece a sua dança e o que ela tem de positivo. É preciso saber aproveitar aquilo que você tem de bom!
Outro ponto essencial é saber olhar para dentro de si e para o entorno enquanto se dança. Para algumas isso pode ser mais natural, para outras é um exercício diário. Você precisa sentir a música, perceber o que ela desperta em você. Perceber o que cada instrumento, cada ritmo, cada voz desperta em você e transformar isso em dança. Ao mesmo tempo é necessário ser comunicativa, interagir com o público. E saber perceber o momento da música adequado para comunicação ou introspecção, para brincadeiras durante a dança ou para o desenvolvimento de algo um pouco mais sério. E esse desenvolvimento também precisa ser associado a muito estudo.
Há ainda a necessidade de cuidado com o corpo e com o figurino. Saber escolher figurinos bonitos e adequados para cada dança. Cuidar de si, da própria aparência. Estar impecável no momento do show!
E por último agir com profissionalismo. Respeitar as colegas de profissão, as professoras, as alunas, o público, os contratantes... Procurar chegar no horário combinado, com roupas discretas, figurino em uma mala... Agir com educação e simpatia antes, durante e depois da apresentação. Ter cautela no contato com o público. Evitar permanecer no local onde dançou após o show, caso o ambiente não esteja adequado para tal. Conversar com o contratante reservadamente...
Para que uma bailarina ofereça então o seu trabalho e seja contratada para shows, ela precisa estar atenta a todos esses pontos. Ter bom nível técnico, cuidar de si e do figurino, saber expressar os sentimentos e interagir com o público, agir de forma profissional... E não conseguimos desenvolver todos esses pontos rapidamente. Ao pagar para assistir e oferecer um show, o contratante tem o direito de exigir uma dança de qualidade. Muitas vezes esses pontos abordados não estão claros para ele, mas a forma como você age vai fazer diferença e sua qualidade técnica também vai falar sobre você e sobre sua responsabilidade com o que faz!
Quando realizamos nosso trabalho com responsabilidade, amor e humildade o retorno acaba sendo algo natural. Se deseja seguir um caminho profissional em dança invista em estudos e em você! E trabalhemos de forma a qualificar cada vez mais a arte que representamos.

Ju Najlah

sábado, 2 de junho de 2012

Trecho de entrevista com Lulu from Brazil

Estou postando aqui um pequeno trecho, muito interessante, de uma entrevista com Lulu from Brazil publicada na primeira edição da Revista Shimmie. A entrevista está inteira muito interessante. Mas aqui vai ficar só esse pedaço, um gostinho. Palavras admiráveis de uma grande profissional que é exemplo para todas nós!

"RS. Do que é feito uma boa professora?
Lulu: Em primeiro lugar, ela deve ser uma boa aluna. E eu diria, uma aluna eterna. Eu não acredito numa professora que aceite dinheiro - que é uma forma de energia para ensinar - e que não invista dinheiro para continuar aprendendo. Em segundo lugar, ela deve gostar de gente, porque é impossível ensinar se você não gosta de estar com pessoas. Em terceiro lugar, ela deve aceitar suas próprias limitações, pois se ela não aceitar as dela, não saberá aceitar as dos outros, pois as pessoas que buscam a dança vêm por motivos diferentes e possuem limitações diferentes também; em quarto lugar, saber que ela não sabe nada.

RS: Do que é feito uma boa bailarina?
Lulu: De muitas bolhas no pé! (risos)... de muito respeito pelos seus professores, de respeito pela dança e respeito pelo público.

RS: E uma boa aluna? O que uma aluna faz que te chama a atenção? Quando você olha e vê que ela tem potencial?
Lulu: Eu acho que a boa aluna não é aquela que vai crescer, a boa aluna é aquela que quer aprender. Simplesmente isso. Porque de todas as alunas que buscam as aulas, apenas uma pequena porcentagem vai se profissionalizar. A grande maioria busca outras coisas com esta dança, não uma segunda profissão."

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Seu corpo, sua história!


Vivemos tempos em que o culto ao corpo, magro ou sarado, se faz realidade. Pessoas perdem sua saúde, sua energia e muitas vezes sua alegria de viver em busca desse ideal corpóreo. Sugere-se uma perfeição que na vida real não existe. No meio da dança isso não é diferente. Talvez até se crie um meio cruel, onde tais exigências persistem, julgam, rotulam e discriminam.
Fico então me perguntando onde vamos parar com isso tudo. Talvez em um mundo infeliz, repleto de pessoas insatisfeitas buscando um padrão irreal de perfeição. Não será bom para ninguém.
A dança precisa ir na contramão disso tudo. Aqui não falo de desamparo ou de desleixo. Falo justamente o contrário: dar uma atenção especial a si mesma, ao que te faz bem e se aceitar da forma como você é. Falo da possibilidade de aceitarmos ser quem somos nos respeitarmos e nos amarmos. Cada ponto de seu corpo faz parte da sua história. Tudo o que viveu e vive está nele gravado. Tudo o que você está sendo se expressa também nele. Suas experiências, suas alegrias, suas frustrações, tudo é importante para a construção da pessoa que é hoje e seu corpo interage, troca, responde, fala! Sua estrutura corporal diz muito de você. Suas marcas de expressão carregam consigo cada experiência, que te faz hoje uma pessoa melhor. As formas de seu ventre podem denunciar a beleza que é ser mãe... Por isso ame cada parte de seu corpo, porque ele fala de você, ele é uma parte sua. E utilize a dança a seu favor!
Dançando você pode perceber o despertar de toda sua beleza, de toda sua feminilidade. Sem estereótipos, sem regras fúteis, apenas exercitando o autorrespeito, tratando carinhosa e cuidadosamente de cada parte de seu ser! Que a linda mulher possa subir ao palco, independente dos quilos ou rugas, e se expressar livremente, transbordar sentimentos, transbordar vida!
Quando nos amamos podemos cuidar de nós mesmos. Suas diferenças te fazem uma pessoa única! Se nos preocupamos em demasia com estereótipos, como formas perfeitas, vamos acabar criando linhas de produção de pessoas. Será que toda essa igualdade é interessante?
Por isso ame-se! Suas diferenças te fazem uma pessoa especial e única!

Ju Najlah

É preciso transformar a música em dança, num movimento de fora para dentro, mas principalmente, num movimento inverso, externalizar os sentimentos, transparecer a alma, transformar o corpo em música, em dança, em arte. A unidade se faz em todos os sentidos. O seu estilo de dança não será criado. Ele já existe. Basta você abrir espaço para que ele possa surgir. Dance com alma!

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