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segunda-feira, 12 de março de 2012

Música Árabe - percepção dos instrumentos

Tão importante quanto reconhecer os ritmos é saber identificar os instrumentos utilizados na composição de uma música oriental. Compreender a expressão de cada um deles, perceber o que cada um nos faz sentir, o que desperta em nós, observar quais movimentos durante a dança interpretarão a música produzida... Deixar que sua dança flua de acordo com a música, que sua expressão facial e corporal deixem transparecer o sentimento produzido pelo som! Que música, dança e bailarina sejam um!Nesse caminho devemos buscar o equilíbrio entre o estudo e a expressão subjetiva.
Já postei aqui no blog textos e vídeos falando sobre alguns dos diversos instrumentos utilizados na música árabe. Postarei agora vídeos de algumas orquestras/bandas, para que seja possível tentar identificar na música, o som de cada instrumento. Como a estrutura da música oriental é muito distinta da ocidental, precisamos treinar nossos ouvidos. Essa identificação dos instrumentos é importante, principalmente, na interpretação de taksins. Saber distinguir instrumentos de sopro, corda ou o acordeon e saber quais tipos de movimentos podem ser adequados (nos outros posts algumas dicas com relação aos movimentos são dadas).
Então, bons estudos!


 Om kolsoum



Por volta dos 2:26min entra a banda

Drummers solo

The Arab Jewish Yourh Orchestra

Tony Mouzayek e banda

Sami Bordokan Quarteto



Taksim Trio


sábado, 10 de março de 2012

Instrumentos Árabes - A Voz


Salguta - é o nome do grito que as bailarinas fazem no meio de uma dança. Originalmente é um grito de guerra. As mulheres recebiam ou despediam-se dos homens em ocasião de guerra. Também é comum escutar durante a zaffa (casamentos) e outras comemorações.

Maq´am (Plural: macamats) - É uma idéia musical , podem existir cerca de 150 macamats. É comum tanto nas improvisações como nas composições , que se comece por um macam, se passe a outro e termine voltando ao macam inicial.

Mahual - É um improviso do cantor “conversando” com a orquestra. O cantor pode mudar de maçam independente da orquestra acompanhá-lo ou não.

Instrumentos Árabes - Instrumentos Modernos


Há ainda outros instrumentos tocados na música árabe, mas que não são considerados dentro de nenhuma categoria apresentada anteriormente. Entre eles estão: acordeon, órgão, bateria, guitarra.

Acordeon - O acordeon é muito famoso por ser utilizado nos tangos. Mas engana-se quem pensa que é exclusivamente da cultura argentina. Diz a lenda que um imperador chinês do século 3.000 a. C pediu a um estudante que criasse uma forma de imitar o som de um pássaro. O jovem então inventou o Cheng, instrumento com 13 a 24 palhetas de bambu que reverberavam em uma cabaça. Outros instrumentos que usavam o mesmo princípio foram elaborados no Egito e na Grécia.
O acordeon foi elaborado pelo austríaco Cyrillus Damian, em meados de 1829, mas somente 20 anos depois recebeu os teclados que conhecemos. Depois de ser difundido pela Europa por volta de 1770, principalmente nas festas nas aldeias, chegou ao Brasil no século XIX, trazido pelos imigrantes italianos. Possui as teclas, do lado direito, e botões, que podem variar entre 12 (infantis) e 140, do lado esquerdo. Porém, no chamado acordeon cromático há botões dos dois lados. No meio fica o fole, responsável por controlar a duração e outros efeitos das notas.
Na música árabe, foi introduzido na década de 40, quando recebeu uma nova afinação e passou a integrar orquestras. Você já deve ter percebido que é raro encontrar um solo de acordeon, com exceção das músicas libanesas. É o caso do libanês Alex Menakian, um dos melhores instrumentistas de acordeon, que fez inclusive interpretações de taksins. Há registros de criação e composições para o instrumento na Turquia, Israel e Armênia. Nos anos 80, este belo instrumento começou a ser substituído por efeitos Midi de órgãos imitando sua sonoridade.
Acordeon, sanfona, gaita de fole, realejo e concertina. Não consegue entender como todos podem ter sons tão diferentes? Bom, o princípio é o mesmo, o que muda é a afinação, já que na música árabe o acordeon é usado na escala maqam, diferente da escala usada no ocidente por ter os quartos (1/4) de tom. Acompanhe no vídeo a execução de um solo de acordeon. Veja como a bailarina trabalha ora o ritmo, ora a melodia do instrumento.
Seu som é sensual e os movimentos que seguem acabam contendo essa característica. Movimentos ondulatórios são obrigatórios na hora de ler este instrumento. Oitos e redondos e se prepare para executá-los com muita agilidade, devido às mudanças rápidas de notas. Treine muitas ligações de passos pois o som rico do acordeom não permite pausas nem quebras de movimento. Braços e mãos também são bem vindos apesar do som ser mais pesado e acabar pedindo mais trabalho de tronco e bacia. Andadas e caminhadas simples são muito bem vindas. Em alguns momentos, quando a nota fica muito rápida, cabe até um tremido soltinho e um pouco mais lento. Nunca aquele tremidão percussivo. É muito comum o teclado imitar o som do acordeom, mas a leitura indicada continua a mesma. Você perceberá que o som do teclado é bem mais estridente e não tem a emoção do acordeom.


Assim como o acordeon, recentemente o sax vem sendo amplamente utilizado na música árabe, muitas vezes junto com orquestras. Um músico que faz utilização deste instrumento é Samir Srour.

Instrumentos Árabes - Instrumentos de Percussão



Derbaque - O instrumento mais usado e mais conhecido da música árabe é o derbaque, com seus vários timbres e dinamismo, podendo ser usado desde só para marcar o ritmo básico ou até para fazer solos muito elaborados. Tem liberdade para criar e improvisar “frases e floreios”.
Oferece três variedades de sons: grave, médio e agudo, motivo pelo qual é considerada a voz principal em uma orquestra árabe. Seu formato de ampulheta ou taça permite que seja facilmente acomodado no colo do derbaquista, e é assim que ele é tocado. O corpo oco pode ser feito de níquel, cerâmica ou alumínio comprimido. O topo pode ser feito de pele (de peixe ou cabra) ou plástico (atualmente). Quando feito de pele, pode ser colado com pregos ou cola, e neste caso o instrumento deve ser aquecido para afinar. O modelo mais usado por profissionais é o de alumínio com topo de plástico, afinado com uma chave. Tem cerca de 45cm de altura e 22cm de diâmetro.
Do outro lado do Mediterrâneo, conhecidos compositores europeus usaram o derbaque em seus trabalhos de orquestra, como por exemplo, na Ópera Trojan de Berlioz (1869) ou no Prometheus de Carl Orff (1968). Jimmi Page e Robert Plant convidaram o percussionista egípcio Hossam Ramzy para participar da gravação e turnê do "No Quarter", unledded, tocando o derbaque.
Recebe inúmeras denominações no mundo árabe. Derbakke ou Derback ( Líbano, Síria etc..), Tabla ( Egito ) Darbuka ( Turquia ), Tumberleke ( Grécia ) etc...


Doholla(Tabla Grave, Bass Tabla) - Trata-se de uma Tabla semelhante a Derbakke, porém com dimensões maiores e sonoridade mais grave. Serve como base rítmica para solos de percussão. O doholla segura o ritmo enquanto o derbake "brinca" floreando em cima da ritmo.
 Esse instrumento, na forma tradicional, é feito em argila queimada revestido de pele de peixe ou carneiro. Já possui sua moderna versão em corpo de alumínio e revestimento em nylon. Curiosamente, não existe um tamanho padrão para a confecção da Doholla; o certo é que tal instrumento deve ter uma circunferência bocal superior  ( dois tempos acima ) que a de um Derbakke. Existem, porém, instrumentos com circunferência até três tempos acima que a de um derbakke.
A Doholla é comumente usada como percussão base tanto na música egípcia quanto na libanesa. Apesar de rara até mesmo nos países árabes, a Doholla de corpo de cerâmica em alta qualidade e pele de cabra é a mais indicada para gravações, pois possui sonoridade nitidamente superior. Já em shows ao vivo, sua versão moderna torna-se a preferida, justamente por manter-se sempre afinada independentemente das condições climáticas.
Em opinião particular, Vitor Abud Hiar considera a Doholla em cerâmica e pele de cabra ideal tanto para gravações quanto para shows. Não é possível obtermos, para Vitor Abud Hiar, um perfeito som aveludado nas Dohollas em pele de poliéster. A pureza sonora na marcação rítmica e o "Dum" bastante profundo mas sem exageros que a pele natural proporciona, torna a Doholla tradicional um instrumento cem por cento indispensável.
No Brasil a primeira Doholla fora confeccionada por Fuad Haidamus em meados de 1984, em argila e pele de cabra.




Daff (Pandeiro Tenor, Riqq, Tamborim Árabe)- O Daff, nome que recebe no Líbano, é um pequeno pandeiro feito em anel de madeira e revestido em pele de peixe ou carneiro. Possui cinco címbalos duplos, totalizando um conjunto de dez címbalos que produzem grande sonoridade. Possui também sua versão moderna em aro de metal e pele de nylon. No Egito, recebe a denominação "Riq". Partindo da análise de sua sonoridade, podemos chamá-lo de "pandeiro tenor" e a Mazhar, que veremos mais adiante, de "pandeiro grave".
Há 3 formas de se tocar esse instrumento:
A- Utilizando todos os címbalos.
B- Utilizando parte dos címbalos.
C- Utilizando apenas a membrana de couro.
Oferece três tipos de sons: agudo, médio agudo e médio grave. Devido a suas características polirítmicas é utilizado para criar dinâmicas e floreios complementares a tabla ou derbak
Como bem enfatiza Vitor Abud Hiar, o Daff tem como principal objetivo ostentar o ritmo árabe. Na sua opinião, a versão moderna do Daff não é vista com bons olhos, uma vez que esta quebrou, de certa forma, a tradicionalidade e pureza sonora de sua versão tradicional. No Brasil, o Daff somente passou a ser conhecido pelo público em geral na metade dos anos 80. Esse instrumento juntamente com Derbakke e os Snujs, foram os primeiros instrumentos de percussão árabe a serem usados por músicos no Brasil. Fuad Haidamus fora o primeiro percussionsita a tocar Daff em shows neste país.


Katm ou Maktoum – Instrumento de base originalmente feito de madeira com couro de gazela ,sendo confeccionado assim até os dias atuais, instrumentos sobre o qual não houve modernização. Emite dois tipos de sons: grave e médio grave

Mazhar - (Bendir de címbalos, Daff ou Duff de címbalos) - Largo pandeiro de sonoridade grave podendo ou não possuir címbalos, dependendo de sua versão.
Muitos consideram esse instrumento um Bendir com címbalos ou um Daff de címbalos. Na percussão libanesa, é usado como principal instrumento base da execução rítmica, sendo tocado comumente entre as pernas do músico ou na forma tradicional, empunhando-o em uma das mãos (principalmente no caso da versão com címbalos).
Historicamente acredita-se que o Bendir ou Daff de címbalos tenha sido um desdobramento de sua versão inicial. Não há o que se falar em forma modernizada, nesse caso.
A Mazhar é feita em anel de madeira e pele grossa de cabra ou gazela (animal, este, não mais utilizado nos tempos atuais) . Possui um jogo de 5 címbalos duplos de bronze com diametro superior aos címbalos de Daff libanês. Possui forte sonoridade.
Muitos caracterizam seu corpo como um "pandeiro de dois andares", justamente por possuir uma profundidade acentuada, dando a impressão de que é formado por dois pandeiros um em cima do outro. O diâmetro bocal desse instrumento é duas vezes maior que o diâmetro de um Daff. Sua versão modernizada apresenta revestimento em nylon e anel metálico ou madeira. Vitor Abud Hiar aprecia a versão em pele de cabra ou gazela.
A Mazhar é tocada tanto no Líbano, Egito bem como em todos os outros países da comunidade árabe. No Brasil sua utilização ainda é bastante remota.


Bendir - O Bendir é um pandeiro típico do Marrocos e Algéria, utilizado pelos beduínos ( habitantes do deserto ) no acompanhamento de suas canções folclóricas. Possui as mesmas características do instrumento analisado anteriormente, porém, não possui címbalos em seu anel, o que o torna mais leve e fácil de manusear. O diâmetro de sua abertura bocal é exatamente o mesmo da versão com címbalos confeccionada no Egito.
 A característica marcante deste instrumento  é as cordas que correm por dentro do corpo, rentes ao couro. Geralmente são 2 cordas, mas pode ser mais. Elas são responsáveis pelo som de zumbido característico, marcante na música Berber.
Esse pandeiro grande tem uns 20cm de largura (profundidade), e é feito de couro de cabra e madeira. Tem até 70cm de diâmetro. O Bendir costuma ser decorado com desenhos ou frases do Alcorão, usando para isso a henna. Ele tem um pequeno furo na parte de baixo, usado para equilibrar o instrumento na base do polegar esquerdo, enquanto os dedos da mão esquerda batem de leve na borda e a mão direita toca na borda e no centro. As batidas no centro soam parecidas com o som do Tar, um pandeiro que não tem as cordas. As batidas no centro criam um tom estridente que morre rápido.

Devido sua pluralidade dimensional, o músico percussionista deve sempre possuir um jogo de três pandeiros com tamanhos e, por consequência, sons diferentes, ou seja, de circunferência pequena, média e grande.
Os egípcios o conhecem pelo nome de "Daff" ou "Duff". É um instrumento não possui címbalos em seu anel. Recentes pesquisas mostram que já existe a versão moderna desse instrumento, confeccionada em anel de madeira ou plástico resistente e pele em poliéster (nylon) leitosa.
Apesar de sua versão modernizada ter chegado a bons níveis de comercialização, o Bendir tradicional em pele de cabra de altíssima qualidade possui ressonância (vibração energética sonora) infinitamente superior, sendo, sem dúvida alguma, o mais indicado para gravações e apresentações ao vivo. É um importante instrumento de base na percussão libanesa.
É excelente na execução base de ritmos rápidos, como , por exemplo, o fallahi e o malfuf.
Pode receber várias denominações no mundo árabe. No Egito é conhecido pelo nome Daff ou Duff, no Lìbano e Síria recebe a denominação Mazhar. A versão com parafusos embutidos e sem címbalos é de procedência sírio-libanesa.




Tabel (Tambor oriental) – Significa "tambor grande". Instrumento solo originalmente feito de madeira com couro de carneiro em seus dois lados, sendo confeccionado assim até os dias atuais. Toca-se pendurado ao corpo. Emite um só tipo de som: grave. Usado em danças folclóricas, chega a substituir a própria tabla em algumas regiões. Possui um som contagiante.




Carkabib
Os Carkabib (ou karkabas, ou k'rkbs, ou qaraqeb) são usados pelos Gnawa (tribo do Maghreb) em suas músicas tradicionais, acompanhando danças de transe com as quais trazem a cura para as pessoas doentes, chamadas Stambali. Assim como os snujs, ele é tocado com dois pares (um em cada mão).
Pertencem à família dos idiofones, e consistem de duas barras de metal planas com dois círculos convexos (pequenos címbalos), tocados abrindo e fechando as mãos. Cada carkabib tem cerca de 26,3 cm de comprimento e no máximo 9,5cm de largura. Eles são feitos por ferreiros especializados.



Tabla Baladi ou Tabul
A Tabla Baladi é semelhante à nossa zabumba (porém maior), um tambor com duas "faces", tocado com duas baquetas: uma grande, que faz o som grave, com a mão direita e, com a mão esquerda, uma vareta que faz os sons agudos.
Ela é tocada dependurada no ombro por uma faixa, o que dá liberdade de movimento ao músico, que muitas vezes sai da banda para tocar junto à dançarina.
Tocado com baquetas é usado acompanhando o Mizmar principalmente em apresentações de Raks al Assaya, casamentos e festas folclóricas.


Bongô (bongos) - Conhecido como o principal instrumento de percussão de ritmos como o Mambo, Bolero, Rumba e demais ritmos caribenhos, este instrumento já faz parte da percussão árabe há algum tempo. Por possuir um som agudo e seco, é utilizado nas orquestras árabes como marcador de ritmo. Existem Bongos confeccionados em madeira ( tradicional ), alumínio e cerâmica.
A versão tradicional, em pele de cabra e corpo de madeira, ainda é a mais utilizada mundialmente. Segundo estudiosos, esse instrumento tem sua origem no continente africano. No Brasil, é chamado de Bongô, ( forma aportuguesada, conforme consta nos dicionários modernos da língua portuguesa ). Em Cuba e demais países caribenhos, recebe denominação sempre no plural, ou seja, "Los Bongos" ( "bongo" é o nome individual de cada um dos dois pequenos tambores interligados)


Snujs - (Sagat, Címbalos para os dedos) - Imortalizados no Brasil pelas mãos de Shahrazad em suas apresentações de Dança do Ventre, esses pequeno címbalos de mão podem ser considerados um dos primeiros instrumentos de percussão da humanidade. Segundo estudos, foi inicialmente utilizado por sacerdotisas do antigo Egito.
Formam um conjunto de címbalos metálicos presos no polegar e dedo médio de ambas as mãos. Quando tocados, dão vida e alegria ao ritmo que está sendo executado. Na percussão egípcia, esse instrumento é conhecido como Sagat. Segundo bem explica Vitor Hiar, os Snujs acompanham a percussão, e é por isso que deve ser visto como um instrumento pessoal, ou seja, do particular ( geralmente de uma bailarina ou de um espectador que, ao tocá-lo, demonstra seu entusiamo ante ao ritmo executado). No Brasil, Shahrazad é a grande mestra no toque dos Snujs na Dança do Ventre.

Pesquisa feita nos seguintes sites:

Instrumentos Árabes - Instrumentos de Sopro


Nai - Flauta de junco bem simples, com origens na civilização suméria.
Tem as duas pontas abertas, com 5 a 7 (mas normalmente 6) furos na frente, para os dedos tocarem, e um furo em baixo; mas sem bocal.
É tocada soprando obliquamente na extremidade superior. O som que produz é delicado e brando e, dependendo da força do sopro, o som sai em uma oitava acima ou abaixo, e escalas de tons diferentes podem ser conseguidas com naiat de comprimentos diferentes.
É o mesmo esquema das flautas-doces do ocidente.
É com certeza muito antiga - os arqueologistas encontraram evidências de sua presença no Egito Antigo do terceiro milênio a.C.
Um ícone no que se refere a instrumento de sopro do mundo árabe, possui som suave, hipnotizante, profundo e introspectivo quando tocada solitariamente. Usada em todos os estílos da música árabe, sendo facilmente identificada em taksins e rituais Sufi. Porém em outras composições musicais, acompanhada de outros instrumentos, pode apresentar como resultado uma música muito mais animada.
Na dança a bailarina demonstra o domínio de seu corpo nos ritmos lentos, explorando movimentos sinuosos, ondulatórios e de braços e mãos, respeitando o caráter introspectivo e aéreo produzido pelo som da flauta.

Mizmar – Flauta de madeira curtida, semelhante a uma mini corneta, de som agudo e médio. Instrumento também conhecido como zurna ou rhaita em outras regiões, é típico das montanhas e também folclórico. Comum ser utilizada para introduções de algumas músicas. É percebida especialmente no Said.
Numa música clássica, em 99 % das vezes que a ouvir, será para marcar um saidi, em sua versão folclórica. Se a base rítmica for um saidi, o Mizmar estará dando a ele seu tom folclórico. O som da Mizmar pode ser lento, rápido, longo, curto, o que guiará sua leitura será a ocasião: solo do músico – se for antes da entrada da música, a bailarina deve esperar, pois se trata da apresentação da banda, se for depois da entrada, pode fazer movimentos sinuosos -, folclore - não necessariamente o saidi, a bailarina fará a marcação conforme o estilo folclórico -, floreio - também pede movimentos sinuosos.

Mijuiz - Flauta som agudo e médio agudo. Mijuiz significa, literalmente, 'duplo' em árabe, e é um tipo de clarineta de junco dupla, popular na Síria, Líbano e Palestina.
Os dois tubos de junco são idênticos, pregados com piche ou cera de abelha, têm cinco ou seis furos cada um. Dentro de cada tubo tem um outro tubo menor, partido de forma que vibre para produzir o som. Diferente de outras flautas, a mijuez e outros tipos de clarineta dupla são tocadas com o bucal todo dentro da boca, por um método chamado "repiração circular", que permite ao músico produzir um som contínuo e ininterrupto.
Um exemplo de respiração circular é a gaita usada geralmente para o blues,natural de Nova Orleans,ela também tem o mesmo método de som ininterrupto.
É predominantemente usado para companhar o dabke. Ele é um dos instrumentos de sopro mais antigos.

Kawalla - Instrumento parente dos Nays, feito de uma gramínea típica que cresce até 9 metros de altura.  Existem 9 tipos de Kawala, variando em tom e em tamanho. Possui um som intenso e é muito utilizado em festividades egípcias.
Sua leitura na dança também deve ser feita com movimentos sinuosos e ondulações.

Pesquisa feita nos seguintes sites:

Instrumentos Árabes - Instrumentos de corda


Ud - O ud é um instrumento antigo, provavelmente de origem persa, desenvolvido durante a época áurea árabe para o que é hoje. É provável que os primeiros udes eram feitos de uma peça única de madeira. Na época da Espanha moura, o corpo adquiriu seu característico formato abaulado.
Diz a lenda que o 'ud foi inventado por Lamak, descendente direto de Caim; quando o filho de Lamak morreu, ele pendurou em uma árvore seu esqueleto, que tomou a forma do 'ud (uma contradição entre tradição mitológica e a arqueologia, que aponta um processo de evolução da lira para o 'ud). O mito atribui a invenção do mi'zaf (lira) à filha de Lamak.
O 'ud é constituído de uma caixa acústica grande com um braço pequeno, o que o distingue dos alaúdes de braço comprido (tanbur, saz, baglama, setar etc). O corpo evoluiu muito sua forma, que era de pera (formato ainda encontrado nos qanbus).
O braço é chamado de raqba ('pescoço') ou zand ('pulso'). Ele vai desde a boca até uns 20cm depois do corpo. Esse comprimento é importante na construção do instrumento, pois determina a quantidade e intervalo das casas, interferindo nas maqamat. Atualmente, no Egito, o comprimento do braço varia de 18 a 20,5cm. É padronizado em 20cm na Síria, e pode chegar a 24,5cm num modelo marroquino, o 'ud 'arbi ('ud árabe).
O 'ud de cinco cordas é o mais comum e popular (existem também de 4, 6 ou 7 cordas). A afinação do instrumento, que variava muito no século XIX, está se padronizando: de grave para agudo: yaka = sol; ushayran = lá; duka = ré; nawa = sol; kardan = dó.
É o instrumento antecessor do alaúde, sendo considerado o 1º Instrumento de cordas do Mundo.
Devido às invasões orientais e posteriormente ao comércio desenfreado com os países no Mediterrâneo, o ud ficou conhecido na Europa antes do ano 1000 d.C. Assim, o ud foi se adaptando às novas necessidades locais e como as pinturas desta mesma época mostram, no século XV, os instrumentos se transformaram definitivamente em alaúdes, com cinco ordens tocadas com palheta ou posteriormente, com os dedos.

Alaúde –
O alaúde foi tocado na Europa por mais de 500 anos e, por algum tempo, foi o instrumento mais importante na cultura européia.
Seu nome vem do árabe Al – Úd, que significa "a madeira",  sua origem remota ao século VII, possui braço curto e fundo arredondado, com 12 cordas. No passado, suas cordas eram feitas de seda e tripa de carneiro. Atualmente, as cordas são feitas de nylon e aço, e a richie (palheta usada para tocar o instrumento), antigamente , era feita de pluma de águia e atualmente é feita de acrílico. Considerado o principal instrumento da música árabe, é capaz de seguir qualquer melodia.
Já no mundo romano, o alaúde era chamado fidicula (pequena corda), outro nome que daria origem a muitos descendentes: fidula, vitula, vihuela, viola, violino, etc. O ud existiu por mais de mil anos e em alguns lugares é tocado ainda hoje.
Na dança, como o som do Alaúde tem uma vibração mais longa, podemos fazer tremidos com o quadril solto, acrescentando movimentos sinuosos (como camelos, redondos, oitos) e deslocamentos ao tremido e mantendo os braços de forma harmoniosa e suave.

Bouzouk -
 É um alaúde pequeno no corpo e longo no braço e produz sons mais agudos. Utilizado na Grécia, mas também encontrado em países árabes. Muito utilizado para tocar o tsiftetelis.

Kamanja , Violino e violoncelo: De origem europeia, foram adotados pela música árabe no século XIX. Na segunda metade do século XX tornou-se comum sua utilização nas grandes orquestras. Neste mesmo século o violino já havia tomando o lugar da antiga e ainda usada Rabeb (instrumento folclórico que é o pai do violino e da Rabeca).

Kannun – Instrumento semelhante a Citara, de forma trapezoidal, que é tocado com o auxílio de um plectro e utilizando os dedos de ambas as mãos. Possui de 25 a 30 conjuntos de cordas triplas de nylon.
Se executa ponteios, com as pontas dos dedos envoltas por anéis metálicos, um em cada mão. Ambas as mãos podem tocar a mesma corda fazendo um som “tremeluzente”. Descende de uma antiga harpa egípcia. Seu nome, ao pé da letra significa "a lei". É posicionada no colo do músico, ou em cima de uma mesa especial, colocada em frente ao músico, que a tocará sentado.
O som é mais rápido que o do alaúde, mais vibrante, então na dança o tremido deve ser mais contido. Também é possível interpretar com movimentos ondulatórios.

Saz - Da família dos baglamas, tem como característica um braço normalmente mais logo que o alaúde e uma sonoridade pungente. Muito utilizado na Turquia, Irâ, Azerbaijão, Curdistão e Balcãns.



Pesquisa feita nos seguintes sites:

É preciso transformar a música em dança, num movimento de fora para dentro, mas principalmente, num movimento inverso, externalizar os sentimentos, transparecer a alma, transformar o corpo em música, em dança, em arte. A unidade se faz em todos os sentidos. O seu estilo de dança não será criado. Ele já existe. Basta você abrir espaço para que ele possa surgir. Dance com alma!

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