Meninas, este é um conjunto de posts que estou escrevendo para outro blog(http://dancadoventrenovafriburgo.blogspot.com.br/). Por isso colocarei aqui somente os links! Espero que gostem e que contribua para o estudo de vocês, como tem contribuído para o meu fazer essa pesquisa!
Falar sobre a origem da Dança do Ventre requer muitos cuidados. As diversas teorias que abordam esse tema são duvidosas, já que carecem de documentação histórica. Ou seja, não há registros que falem a respeito da origem...Leia mais
Badia Masabni, a madrinha da dança oriental, nasceu no Líbano (que na época era parte da Síria) e mudou-se para o Egito no início do século XX, onde estabeleceu-se. Alguns anos mais tarde, em 1926, ela abriu o primeiro music hall egípcio, no Cairo – um centro cultural da época. Badia nomeava o seu cabaré "Opera Casino"... Leia mais
Zainab Ibrahim Mahfuz (Samia Gamal) nasceu 1924 em Wana, uma pequena cidade egípcia. Logo após seu nascimento a família se mudou para o Cairo. Anos depois conheceu Badia Masabni... Leia mais
Nascida com o nome Abla (bint) Muhammad Karim, Taheya Karioca(Ismaïlia, 1915 - Caïro, 1999) deixou sua família em Ismália após uma discussão com seu pai, Mohamed Karim, quando contava de apenas 12 anos de idade e pegou o trem para o Cairo. Aos 31 anos já era considerada uma lenda da Dança Oriental... Leia mais
Shafiqah La Copta foi aluna da primeira bailarina de Dança Oriental egípcia, Shooq. Ela nasceu em 1851 em "Shobra", subúrbio do Cairo, em uma família conservadora e modesta.(...)Sua primeira apresentação foi em festivais folclóricos. Depois começou a dançar em casas noturnas. Era muito bonita e talentosa e alcançou a fama dançando na boate "El Dorado"... Leia mais
Naima Akef "nasceu em Tanta, no Egito. Sua família era circense e possuía o Circo Akef. Eles viajavam muito fazendo turnês especialmente na Rússia. Por conta disso Naima começou sua carreira muito cedo."...Leia mais
Não podemos falar da dança no Egito nos últimos 50 anos sem falar do Grupo Reda. Esse grupo provocou grande impacto no Egito em seus aspectos artístico, social e cultural, com suas elaborações coreográficas inovadoras e criativas que se propuseram a levar ao palco o folclore egípcio de forma adaptada aos espetáculos.
O Grupo Reda começou como uma questão de família. Os Redas e Fahmys foram reunidos através do casamento - de Mahmoud Reda e Nadeeda Fahmy, irmã de Farida e mais tarde o casamento desta com Ali Reda, irmão de Mahmoud. Ambas as famílias tinham interesses em comum pela dança e tradição e cultura Egípcias. O sonho de Mahmoud Reda em apresentar um novo gênero de dança e forte desejo de Farida Fahmy por dançar foramo catalisador parauma bem sucedida e satisfatória empresa artística. Mahmoud Reda foi bailarino principal até 1972. Ele ensinou os dançarinos e coreografava e dirigia todas as performances de palco. Com suas coreografias inovadoras, criou um gênero de dança que misturava vários estilos. Farida Fahmy foi bailarina principal por 25 anos. Ela era um modelo para os bailarinos contratados, e sua graça e elegância logo conquistaram os corações dos egípcios.
Mahmoud Reda
Mahmoud Reda nasceu no Cairo em 1930 em uma grande família de classe média.Seu pai foi autor e bibliotecário-chefe na Universidade do Cairo e, com sua esposa, teveuma famíliaque estava imersa em sua herança cultural e em sintonia com o modernismo que estava varrendo o Egito na época. Era uma família com inclinação para atletismo e música.
O ambiente em que Mahmoud Reda cresceu foi um instrumento para a promoção de suas tendências artísticas. Foi nadador profissional, tendo desistido da profissão por considerá-la monótona. Mais tarde foi ginasta, tendo sido membro do time de ginástica que representou o Egito nas olimpíadas de 1952 em Helsinki. Nos anos 50, após assistir uma apresentação de uma companhia de dança folclórica Argentina, foi convidado a ser bailarino integrante, tendo viajado por diversos locais dançando com eles. Começou então a pensar a respeito da possibilidade de criar sua própria companhia, apresentando o folclore egípcio.
O frutífero ambiente familiar, os atributos físicos e sua criatividade foram grandes determinantes para sua carreira como bailarino.
Sua primeira esposa, Nadeeda Fahmy inspirou e encorajou Mahmoud Reda para perseguir suas ambições artísticas, e desenhou os figurinos para os primeiros shows da trupe. Os figurinos eram tão inovadores que são, até os dias de hoje, copiados por outras pessoas.
Ali Reda
Ali Reda, irmão de Mahmoud, foi um experiente homem no mundo do show business. Aos 16 anos já ganhava prêmios de dança em competições que eram populares na época, destacando-se emdançascomoo swing e o jitterbug, tendo sido, por isso, uma grande inspiração para Mahmoud Reda. Mais tarde voltou sua carreira para o cinema.
Nosanos de formação do Grupo Reda, ele atuava como conselheiro artísticoe atendiaa todos osproblemas administrativose gerenciais.
Dentre outros, dirigiudois filmesno gênero de comédiamusicalpara o Grupo Reda. Esses filmessão hoje consideradoscomopedras angularesda história docinema egípcio, e são mostradosna televisãoaté os dias atuais.
A experiência anteriordeAliRedaemshow businessesua forte personalidadeforamfatores importantesno que diz respeitoao desenvolvimento bem sucedidodatrupe.
Umaimportante decisão suafoiintroduzira músicainovadorae extremamente atraentedo MaestroAliIsmailpara o Grupo Reda. AliIsmailcombinou instrumentosocidentais cominstrumentos tradicionaisegípcios,e apresentoua música tradicionalcomuma abordagem nova efresca.Ele eraum trunfo importante paraa trupeelogo se tornou umcompositor de renomeno Egito.Suas composiçõestêm inspiradomuitas gerações demúsicosegípciosa seguirseus passos.
Farida Fahmy
Seu pai, Hassan Fahmy, professor de engenharia industrial na Universidade do Cairo, era um homem excepcionalmente tolerante, que juntamente com sua esposa, estimulava as tendências artísticas e atividades esportivas de suas filhas. Resistiu às críticas dos anciãos da família e dos círculos acadêmicos quando permitiu que Farida se tonasse bailarina profissional. Assim, ele desempenhou um papel importante na legitimação da situação de dança profissional em um momento em que era considerada uma profissão de má reputação. O incentivo moral da dança de sua filha legitimou sua carreira de bailarina aos olhos dos egípcios e continua sendo, até hoje, um feito extraordinário. Sem dúvida, a sua personalidade carismática, sua posição social, bem como seus pontos de vista tolerantes exerceram uma profunda influência sobre a percepção do público deste esforço.
Farida nasceu em 1940, no Cairo, e por volta dos 18 anos, entrou para uma escola de Ballet. Foi uma das responsáveis por elevar dança e teatro egípcios ao nível das mais conceituadas artes. Seuestilo único, graça e elegânciainspiraram gerações debailarinos, fazendo com que ganhasse a admiração de seu público no Egito e no exterior. Sua dedicação, trabalho duro, disciplina e compromisso com a trupe criaram um modelo que foi imitado por gerações de dançarinos.
Mesmo enquanto atuava no Grupo Reda ela continuou estudando. Recebeu o título de Bacharel em Artes em Literatura Inglesa pela Universidade do Cairo em 1967, e seu título de Mestre em Artes em Etnologia da Dança, pela Universidade da Califórnia em Los Angeles. Sua imagem social e carreira artística, juntamente com suas realizações acadêmicas, faz crescer a visão positiva com relação a bailarinas atualmente.
Farida começou a dar aulas e workshops por volta do ano 2000, viajando pela Europa, Estados Unidos e América do Sul.
Reda Troupe
Foi fundada em 6 de agosto de 1959. Farida Fahmy foi a primeira bailarina da trupe.
Os cofundadores do Grupo Reda juntaram seus recursos, e com um orçamento pequeno, apresentaram a primeira performance no mesmo ano. Esta foi feita sem grandes estudos, pois havia pouco tempo para que fosse apresentada. Contava com seis bailarinas, seis bailarinos, e doze músicos. Mahmoud elaborava os shows a partir de historias que criava. Um dos temas foi “A Flauta Mágica”. Neste espetáculo um menino se apaixonava por uma menina fellaha da vila, mas o pai dela não aceitava o romance. Então o menino tocava sua flauta para que o pai ficasse mais suave. Com isso ele dançava com a flauta e terminava por concordar como casamento.
Após o sucesso do primeiro programa, Mahmoud Reda teve tempo para sua pesquisa. Pegou um grupo de 5 ou 6 dançarinas e foi para o Alto Egito estudar o real folclore. Pegou câmeras, gravadores, alguém para escrever... Eles conversavam com as pessoas, anotando histórias, ideias e escrevendo as músicas. Assistiam as danças e gravavam as músicas. Começaram em Aswan e foram até o Cairo. Em cada cidade ficavam cerca de 3 a 4 dias. Após esse estudo, Mahmoud Reda começou a perceber pontos positivos, mas também alguns problemas, no folclore egípcio. Comparou este a um tesouro que ninguém descobriu, mas observou que há muitas repetições, ou nos passos ou na melodia. “Então, você tem um tesouro, mas ao mesmo tempo o material é pequeno. Você não pode pegar um passo e coreografar uma dança de 5 minutos para palco... Quando você assiste a coisa real você fica feliz porque você se une, você pode cantar com eles, você pode até mesmo bater palma com eles, então você se sente feliz. Mas se você compra um ingresso para um Teatro, você não espera ver isso... Você não pode pegar uma árvore ou uma casa de seu lugar e colocá-la no palco. Mesmo que você coloque os bailarinos reais no palco eles estranharão, não saberão como se comportar. É melhor você ir até eles, se juntar a eles e ser feliz. Mas no palco é diferente. Então eu digo que minha coreografia não é folclore, mas é inspirada no folclore.” Diz Mahmoud Reda.
Interessante observar a postura de Mahmoud Reda diante dessas novas possibilidades que estava criando. Dizia ele que, embora isto não seja regra, há um risco quando você se inspira a criar sua própria coreografia, pois, quando você muda algo, isso se torna outra coisa, e as pessoas podem não gostar. É preciso usar o seu gosto. E o que torna tão fascinante a criação artística de Reda se evidencia em sua seguinte fala: “Eu pego um passo e me imagino como sendo uma daquelas pessoas. Se eu fosse uma daquelas pessoas e quisesse fazer uma variação daquele passo, o que eu poderia fazer? (...) Então eu faço todas as variações possíveis para aquele passo. É como o desenvolvimento de língua árabe: se você não tiver sorte, então, torna-se Inglês. Não é bom. Se você tiver sorte, vai conseguir manter o espírito apesar das modificações que fez aos movimentos. Eu tive sorte. Então, eu fiz tudo o que pude. Coloquei variações do mesmo passo e ainda assim as pessoas o veem e se reconhecem neles.” (Mahmoud Reda)
Outro ponto digno de atenção a quem se propõe estudar essa história diz respeito ao que inspirava Mahmoud Reda e ao processo de criação em si. Dizia ele que a inspiração “vem do nada”. Se ao dirigir avistasse uma mulher com uma roupa bonita, isso o inspirava; se ouvisse uma história ou alguém contando uma piada, isso também o inspirava... No momento em que criou sua primeira performance não tinha o músico, mas havia ideias, passos e ideias para a coreografia. Havia os bailarinos a quem ensinava. Assim, ele criou quase que a primeira coreografia inteira sem música e quando encontrava alguém que tocava tabla, dizia as contagens e o ritmo para que pudesse prosseguir. Quando Ali Ismail foi apresentado por Ali Reda, Mahmoud o mostrou as danças. Foi quando Ali Ismail escreveu as contagens e começou a compor para a trupe. Houve, porém, algumas dificuldades, já que a contagem musical de um coreógrafo é diferente da contagem de um músico. Com isso foram compostas, inicialmente, músicas além do necessário. Mas a primeira dança foi feita assim: coreografada “primeiro no tabla e depois colocada na música”. Mais tarde, ao se conhecerem melhor, as ideias puderam ser realmente compartilhadas e alguns experimentos com passos puderam ser feitos com os ritmos que recebia de Ali Ismail. Quando terminava a composição ele dava a Mahmoud Reda uma versão gravada no piano, este ouvia, falava sobre ajustes que seriam necessários e utilizava a versão para coreografar. E então, quando Ali Ismail via a coreografia se inspirava para compor mais. Dessa forma, um se inspirava na criação artística do outro e criava mais. No caso de Ali Ismail, criava suas composições não só no piano, mas todo o arranjo. “Quando eu ouvia a orquestra, eu tinha mais ideias, e agora o violino dizia alguma coisa, o derbake dizia algo mais, então eu corrigia meu trabalho e colocava mais ideias. E foi assim. Fomos assim até que se encaixasse.” (Mahmoud Reda)
Dessa forma estes grandes artistas foram agindo de acordo com o que estavam sentindo, de acordo com o que surgia e com o que desejavam criar!
Tanto empenho e criatividade fizeram com que, em meados da década de 70 a trupe contasse com cerca de cento e cinquenta membros, incluindo dançarinos, músicos, figurinistas e técnicos de palco. O repertório da Trupe variava de duetos a danças com mais de trinta bailarinos no palco simultaneamente. O Grupo Reda ganhou notoriedade no Egito e visitou mais de cinquenta países. Apresentou performances de comando no Egito, e em teatros de prestígio no exterior, como The Royal Albert Hall em Londres, Carnegie Hall, em Nova York, Congresso Hall, em Berlim, Olympia Theater, em Paris, Teatro Stanislavsky, em Moscou, Theatro De La Zarzula em Madrid e outros. A trupe também ganhou vários prêmios em festivais de folclore em países como a Áustria, Rússia, Inglaterra, Turquia e Bélgica, entre outros. Os artistas principais, Farida Fahmy, Mahmoud Reda, Ali Reda e Ali Ismail foram condecorados pelo rei Hussein da Jordânia, em 1965, pelo presidente Gamal Abdel Nasser em 1967 por serviços prestados ao Estado através da arte e por Burguiba, Presidente da Tunísia em 1973.
O Grupo Reda fez três filmes: Mid-week Holiday, Love Et The Córner, The Thief of the paper e apresentou mais de trezentos (300) shows, tendo ainda participado em dois filmes musicais: ” Mid year vacation ” e ” Love in Elkarnak.
Mahmoud Reda inspirou muitas pessoas. Chegou a dar aulas para classes de 620 alunas. Levou o folclore egípcio para o palco e foi responsável pela criação de inúmeras coreografias, disseminadas por todo o mundo, dançadas por pessoas de toda parte.
O fim da trupe
ATrupeRedafoi um grupo de dança pioneiro, que pôs em marcha a criação de gruposFolkdancenasprovíncias,universidades e escolasde todoo Egito.Infelizmente,hojea Trupe Redaexiste apenas no nome.Faridaterminousua carreira de dançaem 1983 econtinuou seusestudos acadêmicos, recebendo seutítulo de mestre.Por outro lado-inacreditavelmente-a burocracia do governojá tinha criadomuitos obstáculospara frustrar novos desenvolvimentosartísticos,colocandoMahmoud Redaem pensãoem 1990.O GrupoRedafoi posteriormentedeixada nas mãosde membrosda trupeque não possuíamtalento ou tendências artísticas ou de direção.
Grande parte dos professores e coreógrafos que surgiram a partir do Grupo Reda, bem como, outros grupos de dança, não produziram quaisquer inovações notáveis até à data, os seus trabalhos só continuaram a perpetuar o estilo Reda, métodos e técnicas e de ensino.
O talento e a criatividade artística dos artistas principais do Grupo Reda trouxeram uma herança de dança teatral que continua a ser uma fonte rica para todos os professores e coreógrafos. Hoje, Farida Fahmy e Mahmoud Reda permanecemna memória coletivados egípcios. A memória cheia de admiração e nostalgia.
“Todo mundo está dançando! Se por alguma razão o Egito parar de dançar – Espero que não! - Todo mundo estará dançando, de qualquer jeito.” (Mahmoud Reda)
A forma de dança chamada em árabe de "Raqs Sharqui" (dança do oriente) existe provavelmente há milhares de anos. Há muitas teorias sobre suas origens,uma das quais é,que tem suas raízes na Índia e que de lá foi difundida pelos ciganos que a divulgaram no Ocidente.
Outros dizem que ela nasceu no Antigo Egito, e querem traçar no passado sua origem de acordo com antigas danças rituais da Idade da Pedra, nas religiões que cultivavam a grande Deusa.
Também acredita-se que a dança existiu como forma de arte nas cortes tanto sob o Império Romano quanto mais tarde no Império Otomano (Turquia). Durante esta época, imagina-se que a dança possa ter se espalhado por todo o mundo árabe.
Infelizmente não há documentos suficientes que comprovem a dança até o século XX e a documentação existente é difícil de interpretar, pois dança é uma arte visual e o que se tem é a visão subjetiva do expectador que a assiste. De qualquer forma, uma pequena estatueta do século II d.C. mostra uma dançarina em pose típica de dança oriental, tocando instrumentos antecessores dos "snujs" que a bailarina toca hoje em dia.
A dança é uma parte integrada na música árabe. É difícil acreditar que uma dança que interpreta em tão alto grau cada nuance da música possa ter mudado tanto, quando você sabe que a música tem fortes raízes que voltam ao passado da cultura árabe. Ambas, música e dança são parte do dia a dia no mundo árabe; pessoas se encontram, tocam e dançam como parte do cotidiano. A dança e a música tradicional são também elementos importantíssimos em ocasiões especiais como casamentos, por exemplo.
A execução da dança e a música tem sido preservadas em alto grau por tribos ou "famílias" extensas que tradicionalmente trabalham com entretenimento como por exemplo a "Ouled Nail" na Argélia e a "Ghawazee" no Egito. Elas tem preservado a dança e a música em sua forma original, apesar de termos que contar com uma certa quantidade de mudanças durante tantos séculos. Considerações sobre suas apresentações podem ser encontradas em alguma literatura "Orientalista" do século XIX.
A dança vem para o ocidente
Durante o século XIX, o Oriente estava na moda. Com a tradução das histórias das Mil e Uma Noites, fantasias de todos os tipos povoavam as cabeças dos europeus. Muitos viajavam para os exóticos países e ficavam fascinados pela diversidade cultural encontrada lá.
Autores e pintores descreveram seus encontros com bailarinas, que usavam seu corpo de forma a chocar os expectadores ocidentais, educados na era vitoriana. A dança foi vista na Europa pela primeira vez na Mostra Mundial de Paris em 1889; foram trazidos diversos artistas de rua argelinos para se apresentar dentro da mostra. No meio deles havia alguns dançarinos, não como os de hoje, que estavam apropriadamente vestidos com costumes típicos. Este espetáculo interessou ao "American Sol Bloom", que levou-os em outro ano para a Exibição Mundial de Chicago, em 1893. Uma dessas dançarinas que veio, ficou na América e mais tarde tornou-se conhecida: a dançarina "Little Egypt".
O termo em francês "danse du ventre", foi traduzido para dança do ventre, nome pelo qual hoje a dança é conhecida. A dança logo se tornou "burlesca" e ganhou má reputação; até hoje as amantes dessa arte lutam para retirar esse rótulo e colocá-la numa posição privilegiada ao lado de outras formas de arte.
No Egito a reação foi trazer coreógrafos russos para tentar "limpar"a dança. Houve muita influência dos filmes de Hollywood na nova forma de dança que emergiu no início do século XX, conhecida como "estilo cabaré" - termo que se refere aos restaurantes que apresentam espetáculos ao vivo.
A dança do ventre no Brasil - quando e como começou
Em nosso país, no início dos anos 70, apenas alguns restaurantes árabes na Cidade de São Paulo, comoSemíramis, Bier Maza e Porta Abertapossuíam apresentações de dança do ventre como atração para seu público freqüentador (em sua maioria, pessoas da colônia árabe).
Não havia em nenhum outro lugar.
Em geral, três músicos tocavam num pequeno palco (alaúde, derback e dâff), e num determinado momento do jantar eram chamadas uma ou duas bailarinas para realizarem suas apresentações.
Existia uma geração de pouquíssimas bailarinas no Brasil que se apresentavam nos restaurantes acima. Na verdade, no total, não chegavam a encher os dedos de duas mãos. Eram elas:Shahrazad, Samira, Rita, Selma, Mileidy e Zeina.
O aprendizado acontecia de maneira informal e sem fontes de informações seguras.
Shahrazadé armênia e pela própria descendência, tinha uma técnica elaborada e diferenciada. Devemos lembrar que não existiam computadores, fax, celulares, CDs, vídeos VHS, fotos digitais, imagens atualizadas, revistas ou qualquer forma de contato com a realidade dos países árabes, no que diz respeito a estudos.
Mesmo nos países árabes a dança sempre foi ensinada de maneira informal.
Muito do que se fazia em cena nos shows, vinha dos filmes de Hollywood, e principalmente, de forma intuitiva. Para uma apresentação nos dias atuais, seria totalmente incompatível, mas para uma época onde o referencial inexistia, era mágico.
Hoje, quatro décadas depois, as sementes da dança oriental frutificaram, mesmo após estes locais terem fechado as portas e encerrado suas atividades.
É preciso transformar a música em dança, num movimento de fora para dentro, mas principalmente, num movimento inverso, externalizar os sentimentos, transparecer a alma, transformar o corpo em música, em dança, em arte. A unidade se faz em todos os sentidos. O seu estilo de dança não será criado. Ele já existe. Basta você abrir espaço para que ele possa surgir. Dance com alma!